Restauração ecológica na Bahia prevê 3,3 milhões de árvores

Projetos de restauração ecológica na Bahia, concentrados em Eunápolis, têm a meta de recuperar 2 mil hectares e plantar 3,3 milhões de árvores nativas da Mata Atlântica. Segundo informações divulgadas pelas empresas envolvidas, a Nestlé investe na iniciativa, executada em parceria com a re.green.

As ações buscam recuperar áreas rurais que foram usadas como pastagens e apresentam degradação do solo e impactos sobre a fauna nativa. O clima e o regime de chuvas do sul baiano estão entre as condições apontadas como favoráveis à regeneração da vegetação.

Os trabalhos estão distribuídos entre as fazendas Surubim e Gameleira, em Eunápolis. A iniciativa foi apresentada em reportagem publicada em 26 de outubro de 2026, quando os projetos estavam em diferentes estágios de execução.

O plano envolve mais do que o plantio de árvores: inclui recuperação do solo e dos recursos hídricos, acompanhamento da biodiversidade e capacitação de comunidades de assentamentos vizinhos. A geração de créditos de carbono também faz parte do modelo previsto para as áreas restauradas.

Por que Eunápolis atrai projetos de restauração

A localização de Eunápolis aproxima iniciativas de restauração ecológica na Bahia de cadeias produtivas e fornecedores necessários à execução dos trabalhos. A disponibilidade de áreas com potencial de recuperação também é apontada como um fator de atração para investimentos no sul do estado.

Segundo Miguel Moraes, biólogo especialista em ecologia e diretor de projetos da re.green, a região está próxima de centros de produção de mudas e de empresas prestadoras de serviços. O especialista também descreve a infraestrutura local como favorável à realização das atividades.

Empresas de diferentes setores têm adotado metas ambientais de curto e longo prazo para reduzir emissões de gases de efeito estufa, sobretudo de dióxido de carbono. Nesse contexto, projetos de recuperação de terras podem integrar iniciativas ligadas às estratégias climáticas das companhias.



As fazendas Surubim e Gameleira e as metas de recuperação

O planejamento apresentado pelas empresas reúne cerca de 866 hectares nas fazendas Surubim e Gameleira, em Eunápolis. O Projeto Surubim começou em meados de abril de 2026, enquanto a área da Gameleira acumulava um ano e dez meses de execução na ocasião da reportagem, publicada em 26 de outubro de 2026.

Na Gameleira, há mais de 170 hectares considerados recuperáveis. Nas duas propriedades, aproximadamente 170 mil árvores haviam sido plantadas durante o primeiro ano da parceria, por meio de plantio direto e semeadura.

O plano previa a aquisição de novas fazendas até o fim de 2026, com a incorporação de mais 1.500 hectares disponíveis para restauração ao longo dos anos seguintes. A gerente de sustentabilidade da Nestlé, Cecilia Seravalli, afirmou que a escala da iniciativa permite abranger uma área extensa.

As ações são conduzidas pela re.green em parceria com a Nestlé, que investe no projeto. A execução considera aspectos de cada área, como vegetação e biodiversidade nativas, sistemas hídricos e comunidades que vivem no entorno, conforme a descrição da iniciativa.

Créditos de carbono e recuperação da Mata Atlântica

Projetos de restauração florestal podem gerar créditos de carbono negociados com empresas que buscam reduzir ou compensar parte das emissões de suas cadeias produtivas. Cada crédito representa a redução ou remoção de uma tonelada de dióxido de carbono da atmosfera.

Nas áreas de Eunápolis, o plantio inclui espécies nativas da Mata Atlântica, como ingá-açu, capixingui, embaúba, pau-cigarra, boleira, pau-viola e pau-brasil. O crescimento das árvores contribui para a captura de CO₂ e para a recomposição de processos naturais do bioma.

Moraes relatou que o aumento de matéria orgânica e a mudança na aparência do solo são sinais observados na Gameleira. Segundo o biólogo, um solo em melhores condições favorece a germinação de sementes de espécies nativas trazidas por aves.

De acordo com o planejamento divulgado, os projetos devem durar pelo menos 30 anos e têm potencial para gerar cerca de 880 mil unidades de carbono. A recuperação da Mata Atlântica também está associada à proteção dos recursos hídricos e à conservação da biodiversidade nas áreas restauradas.



Deixe um comentário